sexta-feira, 22 de abril de 2011

Banho de chuva

Depois de horas em frente ao computador, deu uma vontade de sair, andar, respirar. Não pensei duas vezes. Troquei de roupa e fui. A chuva estava fraquinha um convite a uma caminhada, permitindo me envolver em meus pensamentos, na busca de mim mesma... De repente a chuva aumentou, um toro brabo daqueles, e ai o que fazer? Parar ou seguir? Preferi a segunda opção e segui caminhando na chuva, ela lavava minha alma, minhas dores, minhas tristezas, medo. Me fez senti livre, abrir os braços, girei, me senti num filme, e as pessoas? Não sei, não vi... Pratiquei a invisibilidade. Aquela chuva no meu corpo era como música pro meus ouvidos, uma massagem pra acabar com a tensão de tantas perguntas sem respostas que eu ainda tenho. Tive vontade de correr, passar por debaixo de todas as calhas e me molhar, reviver a menina livre e feliz de 20 anos atrás mas, no meio da nostalgia, das lembranças, tudo parou, não sentia mais a chuva, sentia apenas a liberdade, e me vi refletida naqueles pingos de água. Vi o reflexo da minha essência, livre, feliz, liberta dos medos e preconceitos; das fantasias e projeções, vivendo apenas aquele momento, a roupa molhada colada ao meu corpo me fez sentir frio e assim retomar a consciência, mas mais do que a consciências eu retomei a minha essência, o meu destino, o de escrever, viver, conhecer, viajar, deixando o vento me levar. Para muitos um simples banho de chuva, pra mim encontro comigo mesma e o fim da minha solidão.

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